Devires comunistas no encontro com xs outrxs – política, amor, arte, ciência

No dia 2 de abril, estaremos na Universidade do Estado do Rio Grande do Sul pensando as situações de encontro com xs outrxs enquanto momentos para a produção de novos horizontes de possíveis e — por que não? —  de devires comunistas. Compartilhamos o roteiro da “máquina de ideias” e, no final da postagem, alguns textos que poderiam estimular o debate.

* * *

Polimorfismo do trabalho, universalismo concreto, autonomia e coletivismo: este é o campo de possíveis aberto pela palavra comunismo. Cada um desses possíveis nos fala, em primeiro lugar, da transposição do próprio lugar. O comunismo é da ordem do devir, “não é um estado de coisas que deve ser instaurado nem um Ideal para o qual a realidade deverá se direcionar”. Marx e Engels chamavam de comunismo aquele “movimento real que supera o atual estado de coisas”. Mas de onde parte esse movimento? Ele parte dos pressupostos atualmente existentes. Os pressupostos somos nós e tudo aquilo que, hoje, nos localiza, nos fixa numa posição estável e, de preferência, “produtiva” ou reprodutiva. A perda deliberada dessas posições em direção a outro “nós”, a outra forma de estar juntos, pode ser comunismo.

Não há comunismo sem devir e não há devir sem o encontro com os outros. Não se trata, aqui, dos outros tal e como o Estado e o mercado os selecionam, qualificam, enumeram e separam. Estamos falando dos outros como uma alteridade real à espera de ser descoberta mediante diversos tipos de engajamento: amor, política, ciência, arte. Em cada uma destas formas de engajamento nos expomos à surpresa da alteridade como acontecimento e, portanto, como deslocamento. Aos poucos, vai ficando claro que esses “outros” que nos arremessam num devir comunista não são apenas pessoas: são a realidade sublevada, diante de nossos olhos, contra as posicionalidades existentes. Na política descobrimos capacidades que não pensávamos ter, e isso nos encoraja; no encontro amoroso, descobrimos que x outrx não era quem pensávamos ser, e isso é comovedor e surpreendente; na ciência o mundo se redefine graças à proliferação de novos entes e determinações que é preciso saber reconhecer e acompanhar, apesar de (e contra) quaisquer dogmas; na arte nosso envolvimento com a matéria permite a enunciação do impossível apesar da monotonia formal da realidade definida pelo poder.

Como essas formas de engajamento com xs outrxs, observadas de perto, em seu momento mais disruptivo, podem aguçar nossa sensibilidade e nossa predisposição para pensar a nós mesmos e ao mundo em sua necessária abertura à transformação? O que significa conceber o mundo como um lugar aberto à mudança? Que serventia a palavra comunismo pode chegar a ter nesse esforço? Qual a relação ou a não-relação entre as formas de praticar e promover a diferença estimuladas pelo Estado e pelo mercado e aquelas diferenciações cultivadas em tensão com a lei, a norma e os imperativos da produtividade e da competitividade? Existem processos de transformação, luta e conflito mais relevantes do que outros no momento de colocar em questão a ordem existente e preparar sua superação?

No dia 2 de abril, nos propomos a construir com xs participantes da máquina de ideias algumas noções em comum para abordar estas e outras questões a partir de nossas respectivas áreas de conhecimento, lugares de trabalho e de ativismo.

Lugar: UERGS Montenegro. Fundarte. Rua Capitão Porfirio, 2141, sala 5.

Hora: das 19h às 22h

Quem propõe a atividade?

Esta atividade é fruto de um convite ao diálogo estendido pelo professor Giuliano Andreoli ao Grupo de Estudos em Antropologia Crítica (GEAC). O GEAC é um coletivo independente que atua na criação de espaços de auto-formação e invenção teórico-metodológica. Constituído em 2011, o GEAC se propõe, basicamente, a praticar “marxismos com antropologias”. Isto significa desenvolver meios para refletir, de maneira situada, sobre os devires radicais da conflitividade social contemporânea. Delirada pelo marxismo, a antropologia se transforma, para o GEAC, numa prática de pesquisa e acompanhamento político das alteridades rebeldes que transbordam e transgridem a pretensão totalitária do modo de produção vigente e da sua parafernália institucional.

Formato: Nos primeiros trinta minutos xs integrantes do GEAC introduzem algumas ideias que vieram formulando nos últimos anos para pensar o encontro com os outros enquanto lugar de produção de possíveis. Na segunda etapa da atividade, xs participantes são convidados a misturarem as proposições anteriormente apresentadas com suas próprias noções, inquietações, conceitos e, claro ideias, sobre as artes visuais, a dança, o teatro, a música e o ativismo enquanto práticas de engajamento que nos colocam frente a frente com o mundo em sua transformabilidade.

Textos que poderiam estimular o debate:

 

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