6 thoughts on “Antropologia e Dessubjetivação. De volta ao ponto de partida

  1. “Vivi muito tempo no mundo acadêmico. O mundo acadêmico é um lugar perigoso. Dá medo. Nietzsche muito cedo se sentiu incapaz de respirar o seu ar. Sobre o perigo de se viver na universidade ele fez uso de metáforas sinistras: “Eles se assentam frios na sombra fria: em tudo eles desejam ser apenas espectadores. Como aqueles que ficam nas ruas observando os passantes, eles esperam para observar os pensamentos que os outros pensam. […] Eles se vigiam uns aos outros com atenção e desconfiança. Férteis em espertezas mesquinhas, eles ficam tocaiados esperando os que andam com pés trôpegos: como aranhas eles esperam” (Assim falou Zaratustra FN II(II), p.655). Durante muitos anos, não tive coragem para dizer o que eu sabia. Por medo. As inquisições não são monopólios das igrejas e não se fazem só com lenha e fogo. É muito difícil viver numa universidade e continuar a cultivar os próprios pensamento. É muito mais seguro ficar moendo os pensamentos dos outros”.

    Rubem Alves

  2. Excelente teu texto, Juliana Messomo. Tu conseguíste ir fundo num tema muito delicado. Sem dúvida Vai inspirar alguns parágrafos como resposta! .

  3. Juliana, muito agradecido pela possibilidade de reflexão que teu texto trouxe. Incrível como o julgo acadêmico vai nos tirando a “essência humana”, nos diversos sentidos dessa expressão. Seu texto me fez lembrar porque sempre “esperneei” e como isso mantinha vivo em mim uma “chama de rebeldia” frente a esse cenário que você descreve. Perceba que escrevo no passado… Aos poucos, de forma lenta, silenciosa e solitária fui sucumbindo parcialmente a essa lógica. Descobrir pessoas “esperneando” traz uma força inenarrável e por isso compartilho esse comentário, para que saibas que teu texto ajudou (muito) a perceber o quanto docilizado e domesticado estou/estava. Seguimos “esperneando”!

    • Olá Thiago! Obrigada pelo comentário. Sem espernear acho que estamos fadados a reproduzir a disciplina pela disciplina… e inevitavelmente, assim, estaremos esvaziando nosso próprio trabalho, nossa própria vida. Sejamos seres políticos e sensíveis como todos são…
      Como tentei mostrar no texto, acho que tem aí uma questão geracional também. Nos últimos anos a necessidade de produzir por produzir vem impactando desde muito cedo na nossa formação. Acho que, hoje em dia, é questão de sobrevivência espernear e fazer a crítica deste lugar de enunciação que convencionou-se chamar antropologia.

      Ficamos felizes que o texto tenha ajudado. Quando quiseres compartilhar mais inquietações, angústias, ideias, fique à vontade. Certamente irá nos ajudar também. Um abraço! Juliana

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